Quero falar de algo legal.
Acabei de assistir novamente “Lost in Translation” (Encontros e Desencontros) na TNT, dublado mesmo. Já havia visto este filme há um tempo, e me impressiona como sutilmente ele me marcou, sim, existem filmes que nos marcam né… O filme todo é sutil ao ponto de provocar raiva nos que não captam o “feeling” entre os dois personagens. Sinceramente não é pra qualquer um, não que alguém seja melhor se “entender” o filme, mas se fosse tentar explicar, eu diria que é mais um estado de espírito que se passa no além das palavras. Scarlet é maravilhosa encantadora criatura, e Bill consegue transpor todo cinismo e verdade do personagem de meia idade. Aquela situação desconfortável que vivem os dois, em linhas de tempos diferentes que se cruzam em um ponto remoto do nosso globo, o Japão, tão incompreendido pelos dois quanto a própria situação de carência e afetividade que vivem. Ainda que suas vidas não permitam que este affair platônico passe além daquele momento, eles estão ali e são “vítimas” desta situação.
Ah, se todos entendessem essas sutis linhas… A cena final é emocionante. Acho que os melhores filmes são os que deixam você entender o que quiser, que despertam o seu pensar e seu comentário. Pois Bob por um momento lembra que pode ao menos dizer a Charlotte que aquilo que viveram foi real, mais que uma impressão dela, e que o marcou. Ele corre atrás dela no meio da multidão de japoneses, a chama, eles se abraçam e ele diz algo em seu ouvido que faz correr lágrimas em seus olhos. Depois lhe dá um beijo e se separam para sempre… “Ah Bob, o coroa se deu bem..” Mas a vida é assim, ele teve que ir embora, e poucos entendem o que vêem, ainda que seja óbvio, preferem as palavras explícitas, os gritos e as reações de força. Neste filme não há casamento no final. Ahhhh….
Viva a inteligência da sutileza. Viva a complexidade. Viva a foto em minha memória do beijo de Bill em Scarlet…
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