Archive for December, 2006

Feliz Natal

Monday, December 25th, 2006

 English Exhibits Colouringbook 05 Pics Cover Front 520

Amigos, queria desejar um feliz Natal à todos. Natal pra mim é uma época do ano para refletir. Uma pesquisa divulgada recentemente diz que 80% dos brasileiros são felizes. Eu sou feliz mas acho que a vida poderia ser bem melhor e mais digna em nosso país se tivéssemos:

- mais educação.
- menos corrupção.
- menos impostos.
- mais trabalho.
- mais hospitais públicos dignos.
- mais segurança com uma polícia que mereça nosso respeito e não o medo.
- menos malandragem.
- menos jeitinho brasileiro.
- menos cara-de-pau.
- ruas e estradas dignas dos impostos que pagamos.
- menos funcionários públicos preguiçosos.
- um congresso mais responsável.
- um presidente que assuma responsabilidades.
- uma oposição mais corajosa.
- mais consciência na hora de votar para não eleger políticos indiciados.
- mais educação (de novo).
- um país que deixasse de ser desde que eu nasci o país do futuro. (isso seria muito bom)

Queria poder dizer que estamos perto de algum destes ítens mas quem sabe para 2008 isso possa ser possível.

Um Feliz Natal à todos.

Gus.

They always say time changes things, but you actually have to change them yourself.
Andy Warhol (1928 – 1987)

[tags]natal[/tags]

Melancolia Natalina

Sunday, December 24th, 2006

O Natal é melancólico, talvez a mais melancólica das festas. Talvez por ser a última festa do ano que vai embora – a festa do ano novo é para o ano que entra – onde as pessoas estarão reunidas com suas famílias, grande festas, pequenas festas e até nenhuma festa. A maioria das pessoas no mundo não tem nada a celebrar mesmo e as que celebram nem sabem porque estão fazendo isso, é apenas uma celebração de muita comida onde muita comida é jogada fora. Muitas famílias que se reunem não se gostam, ou quando juntam-se acabam é bebendo demais e falando coisas que não teriam coragem de resolver sóbrias. Aqui no Brasil o Natal tem pouco sentido quando vê-se pinheiros decorados com luzes e a figura do velho Noel com aquela roupa toda sofrendo no calor de 40 graus. Acho que coqueiros decorados ficariam mais emblemáticos. E o papai Noel poderia vestir uma bermuda com uma camisa bem fresquinha. O Natal no Brasil é data pra recolher comida e brinquedos pros que não tem nada, existem várias campanhas para isso, nunca participei de nenhuma. Neste Natal acho que não comprei presente pra ninguém e até começo a me sentir mal por isso, mas se é por intenção, será que gostariam de receber um cartãozinho com um poema bonitinho? Humm, eu ia é ser debochado. Tem que ser presente usável. Vou comprar pro ano novo alguma coizinha afinal o Natal é pra dar presente né. Não tem saída. As lojas abrem no dia 24, me esperem sentados.
O Natal é bom pra resoluções de ano novo, porque no ano novo você vai festejar e não terá tempo de pensar em mais nada, No dia de Natal você tem tempo, no começo de dezembro o povo todo acelera, vai para as ruas gastar muito dinheiro parecendo que o mundo vai acabar, para depois na noite do dia 24 ficar em casa. Faz até sentido nos países que faz muito frio armazenar comida e depois se recolher.
O que temos para comemorar no Natal? Acho que Natal não é pra comemorar, é pra olhar na cara das pessoas que estarão com você nesse dia, ser agradável e repensar muita coisa que rolou na sua vida no ano que passou, talvez até por mais tempo e ver se a sua vida está valendo a pena. Agradecer por tudo, brindar e comer quietinho. É o que eu vou fazer. O Natal é introspectivo e se você não entendeu, talvez pensar sobre isso já seja o seu tema natalino. Afinal quando digo que o Natal é melancólico não chega a ser totalmente triste, mas a tristeza passa na sala de vez em quando, e se der de cara com ela, ela vai acabar dominando seu Natal.

Retirei do Wikipedia, algumas frases interessantes sobre a definição de melancolia (até para ver se estou falando besteira):

No período da Renascença e do Romantismo melancolia era considerada como uma doença bem-vinda, uma experiência que enriquecia a alma.

Sigmund Freud, em seus estudos sobre o superego, se deparou com algo conhecido na época como melancolia. Segundo Freud, a melancolia se assemelhava ao processo do luto, mas sem haver necessariamente uma perda (senão uma perda narcisista).

Portanto, se ninguém está doente, entende-se como um processo de reflexão sobre a vida no Natal. Esse é o meu entendimento natalino. Para não esquecer do verdadeiro poeta, vamos a um poema de Natal:

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos…
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

É claro que não fui eu quem escreveu. O autor é Vinícius de Moraes.

Um melancólico Natal à todos, e um feliz 2007.

Ah, a Paixão

Thursday, December 21st, 2006

A Paixão.

Queima a paixão, como queima.
A dor do calor,
do olhar pra frente que não volta,
do prazer por chorar.

Paixão tem gosto,
gosto de coisa errada,
dos olhares errados que sabem o que querem,
e da razão que sabe distinguir tudo isso.

Paixão tem hora,
hora pra não ser perdida,
quando se viu já era,
se não foi não será mais. E dói.

Paixão não tem tamanho,
porque se fosse medida, seria amor.
E se pudessemos explicar,
não a viveríamos no seu explendor.

Paixão não é deste mundo,
porque se for, este mundo é de dor.
A tristeza que não tem fim,
a felicidade da paixão sim.

Paixão é tão incompleta quanto
os indecisos, os que não se adequam,
os que sentem que estão na hora errada,
no lugar errado, mas continuam.

Ah, a paixão, do eterno apaixonado pela vida,
de quem consegue acreditar que a qualquer segundo sua vida irá mudar.
Embora possa conter a imaturidade de uma criança,
sabe ser adulta quando quer.
Ter a capacidade da mudança mesmo que interior,
faz parte da constante que os apaixondados precisam.
Talvez não saibam o que querem,
mas com certeza sabem o que não querem.

A paixão me fascina, me move e me conduz.
Onde quer que eu vá, levarei esta chama,
até que ela se apague e leve consigo a mim mesmo.
Porque são momentos assim que marcam uma vida,
onde se sente viver de verdade,
a tristeza de um amor perdido,
o sonho de um romance impossível,
a dor da despedida,
e chorar nos cantos por ter um coração partido.

Brasileiro: Um Eterno Bobo Alegre?

Thursday, December 14th, 2006

 Images Dvd Simpsons Krusty
O brasileiro gosta de bancar o esperto. E para ser esperto, tem que fazer um outro brasileiro de palhaço. Ele não faz um americano, um inglês ou um alemão de palhaço mas gosta de sacanear o seu conterrâneo. Talvez por falta de capacidade ou por ser mais fácil ser esperto com o brasileiro que não é tão esperto. É assim na política, no trânsito, na sala de espera do dentista e ou em qualquer coisa que se tenha que seguir algumas regras. O brasileiro gosta de levar vantagem, inventa meios sofisticados para isso e ainda sobra espaço para levar vantagem em qualquer esquina sem qualquer sofisticação. Sempre que há uma relação de poder, existe vantagem, e quando não há cultura, existe a força. Quando não se tem capacidade, compra-se os métodos, pula-se as regras e até vendemos uma alma por pura e simples ignorância. O imediatismo do brasileiro é inexplicável, os valores são pontuais e pensa-se que assim eles devem ser perpetuados a cada instante, talvez por instindo de sobrevivência? Acredito que não. Não temos problemas naturais suficientes para despertar este instinto. Temos que criar as situações difíceis para nós mesmos e somos bons nisso. O brasileiro tem a capacidade de ser incompetente em qualquer ramo que se exija disciplina às regras. No circo, quase tudo é feito sob regras, o trapezista ensaia intensamente, o atirador de facas treina sua pontaria exaustivamente. Resta no circo somente a figura do palhaço que ri de si mesmo livremente. Se não tem piada, temos torta na cara. E se tivéssemos vergonha na cara, não nos esconderíamos atrás da pintura branca e do nariz de bola vermelha. Somos mascarados e felizes, porque rimos da nossa realidade paralela de felicidade, que é triste quando o show acaba e as contas são feitas. Nos olhamos no espelho e nos perguntamos quem somos nós. Somos eternos palhaços, eternos bobo-alegres. Mas se houver carnaval, vamos pular até o amanhecer. Palhaço bom é no circo e eu não me vejo em um.

Filme Turistas Provoca Patriotismo Vazio

Wednesday, December 6th, 2006

No último fim de semana li a respeito do filme “turistas” que conta a história de pessoas que numa viajem ao Brasil acabam passando por um pesadelo ao serem sequestradas por traficantes. Ainda hoje a notícia está provocando revolta de muitas pessoas que acham que o Brasil não é isso que está no filme, e também comentários de que o Brasil ‘é assim mesmo, e talvez até pior. Tem gente até tentando mobilizar pessoas para um boicote ao filme. Bom, eu não vou ao cinema mesmo, mas até acho que vou nesse filme.

Para mim algo que mobiliza os bunda-moles brasileiros é digno da minha atenção. Aqui ninuguém se mobilizou quando assassinaram um turista português em copacabana, ou quando seguidos assaltos no aterro à ônibus vindo do aeroporto internacional. Mas um filme “imperialista”, gringo, americano, que “difama” o nosso país maravilhoso, é motivo para agitar a cabeça dos brasileiros e movimentar um patriotismo vazio. Para estas pessoas a culpa das mazelas do país é sempre de um alguém que vem de fora. É culpa do Mac Donalds, dos enlatados americanos, das multinacionais malvadas que assolam e extraem todas riquezas do nosso solo. Nós não temos culpa, porque somos a vítima, sempre. Agora somos vítima no cinema e não duvido que esse governo bunda-mole petista vá tomar alguma atitude autoritária quando a exibição do filme, por isso tenho que ver logo antes que a censura caia em cima de mim. Imagino os petistas fazendo vigilha na porta do cinema para hostilizar quem entra pra uma sessão do filme imperialista. Vou lá, até pagar inteira. Será que a verdade na tela do cinema é tão cruel quanto a de nossas ruas? Será que tem espada ninja? Será que mostra o turista sendo atropelado atravessando a rua na faixa de pedestre? Humm, acho que deve ter muita fantasia, pois a nossa realidade não deve caber em 120 minutos. São décadas de destrato, falta de investimento na educação, de roubalheira dos nossos políticos e na bundamolisse dos brasileiros, que não se levantam contra um presidente corrupto, mas querem boicotar um filmezinho americano. Porque não boicotaram a Britney Spears, macarena ou o Ricky Martin? Logo um filmezinho que mostra a nossa terra! Deve ter paisagens maravilhosas! As nossas ricas florestas e nosso mar azul. Tudo que ganhamos de Deus aqui é tão lindo. Acho que esse patriotismo é falta de carnaval na veia, ou efeito pós perda da copa do mundo, pois quando temos um dos dois eventos, explodimos de felicidade, afinal somos um povo que tem 90% dos cidadãos felizes, apesar dos pesares. Nossa capacidade de alienação é surpreendente. Hoje os EUA anunciaram que vão construir uma base na Lua. E os brasileiros vão boicotar um filme que mostra turistas passando pelo caos no Brasil, enquanto o caos impera em nossos aeroportos e atrapalha..os nossos turistas. Nosso bom humor é imbatível, e nosso patriotismo inteiramente vazio, vamos aguardar o carnaval e esqueceremos tudo isso. Mas até lá, I will give my warning, trust a little bit on the movie.

Alguem que Lhe Perturbe

Saturday, December 2nd, 2006

O que queremos é confusão,
é o mar agitando na janela,
é o vento arrastando os galhos,
o velho gritando na manhã.

O que desejamos é a fome,
para gostar da carne,
a sede para virar o copo de vinho,
a lágrima para abraçar a dor.

O que queremos é inquietação,
dos que falam e perturbam,
da música que toca a alma,
do inexplicado ao fim da relação.

Alguém que nos perturbe,
para darmos atenção,
alguém que precise muito
da nossa vocação.

Haja o que houver,
há sempre um problema a resolver,
e depois um momento
para descansar a dor.

Hoje era só as estrelas no meu céu,
e a brisa do mar a vencer,
depois era depois,
não havia o que pensar.

Hoje era a paz,
do nada ao meu redor,
minha solidão é paz,
no mundo que cerca o meu andar.

Amanhã é a novidade,
que desejo esperar,
as noites acompanho o mar,
amanhã vou voltar,
para nascer o novo dia.

Nada quero esperar,
somente ouvir as notas do piano,
e as ondas do mar.
Quero estrelas no céu,
depois da tempestade no mar.

Agora descanso,
de todos momentos que tive
e dos que terei,
a vida será breve como esta noite.
a vida será doce como esta manhã.