O que queremos é confusão,
é o mar agitando na janela,
é o vento arrastando os galhos,
o velho gritando na manhã.

O que desejamos é a fome,
para gostar da carne,
a sede para virar o copo de vinho,
a lágrima para abraçar a dor.

O que queremos é inquietação,
dos que falam e perturbam,
da música que toca a alma,
do inexplicado ao fim da relação.

Alguém que nos perturbe,
para darmos atenção,
alguém que precise muito
da nossa vocação.

Haja o que houver,
há sempre um problema a resolver,
e depois um momento
para descansar a dor.

Hoje era só as estrelas no meu céu,
e a brisa do mar a vencer,
depois era depois,
não havia o que pensar.

Hoje era a paz,
do nada ao meu redor,
minha solidão é paz,
no mundo que cerca o meu andar.

Amanhã é a novidade,
que desejo esperar,
as noites acompanho o mar,
amanhã vou voltar,
para nascer o novo dia.

Nada quero esperar,
somente ouvir as notas do piano,
e as ondas do mar.
Quero estrelas no céu,
depois da tempestade no mar.

Agora descanso,
de todos momentos que tive
e dos que terei,
a vida será breve como esta noite.
a vida será doce como esta manhã.