POEMA DE SETE FACES

Esbarrei por ai neste poema de Drummond, como nada é por acaso, resolvi colocar ele aqui, só para eu não esquecer e quando quiser voltar a ler. Fala um pouco da nossa inquietação com o mundo, quando nos achamos especiais e uma realidade mostra o contrário e vice-versa. Gosto destes poemas sem dificuldades de linguagem, diretos e simplistas, que fazem muito com poucas palavras. Quando leio as idéias fluem da cabeça pro coração sem qualquer entrave, as vezes releio para confirmar o que senti, e na maioria das vezes como no caso abaixo, tudo se confirma.

POEMA DE SETE FACES (Carlos Drummond de Andrade)

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é serio, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

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